SUPERINTENDÊNCIA DA UF EM VIAGEM MISSIONÁRIA AO AMAZONAS

SUPERINTENDÊNCIA DA UF EM VIAGEM MISSIONÁRIA AO AMAZONAS

Neste mês de fevereiro, a Superintendência da União Feminina encarou mais um grande desafio ao deslocar-se ao Norte do país para estar junto com as guerreiras da UF do Estado do Amazonas em cultos, orações, jejuns e estudos bíblicos. Confira, a seguir, o comovente relato feito pela Dcª Gládis Machado, Superintendente da União Feminina:

Após 11 horas de viagem, que renderam histórias para serem contadas à posteridade, chegamos em Manaus/AM no dia 1º de fevereiro, às 22h45min pelo horário local, e, pelo horário de Brasília, às 00h45min do dia 2 de fevereiro.

Vestidas com a camiseta oficial da UF, a equipe chamava a atenção por onde passava. Isso abriu a oportunidade para falarmos a Palavra de Deus. No trecho São Paulo – Manaus, uma senhora se interessou tanto, que comprou o livro da Escola da Mulher Obreira em pleno voo.

Durante o dia 2, ficamos em consagração na igreja. Na oportunidade, recebemos do Pr. Marcelo Machado da Rosa, encarregado da igreja em Manaus, ensinamentos preciosos sobre a obra missionária e a pregação da palavra pela Irmã Lucimara Chappuis de Oliveira. À noite, iniciamos a EMOb. As irmãs ficaram atentas aos estudos ministrados, sendo bastante participativas. Para nós, esse momento foi uma grande escola sobre o amor de Deus, que não se preocupa com números, mas ama a cada um particularmente.

No dia seguinte, às 7h30min, saímos de Manaus em direção a Tefé, distante em linha reta 523 Km da capital. Foi uma hora de voo sobre a Floresta Amazônica, onde a vista da exuberância da natureza nos leva à reverência ao Criador.

Chegamos em Tefé às 8h30min. A cidade é pequena e fervilhante, com grande movimento de pessoas pela rua. A religiosidade é muito forte e se reflete, inclusive, na fachada dos prédios, que trazem nomes bastantes sugestivos, como, por exemplo, a farmácia “Sê tu Uma Bênção” e o cemitério “Catedral da Saudade”. Os corvos tomam conta da cidade, preenchendo os telhados e voando muito próximo das pessoas, à semelhança do que fazem as pombas em outros centros urbanos. Eles são considerados os lixeiros da cidade e responsáveis pela prevenção de doenças que se alastrariam se não fosse o trabalho deles, haja vista a precariedade de saneamento básico e higiene.

Fomos conduzidas para a casa do pastor local, Ev. Wílson Resplandes, onde nos serviram um café com alimentos típicos da região, tais como pupunha, cuscuz, pamonha, beiju, cupuaçu, cacau, macaxeira, pé de moleque amazonense (é feito de mandioca, ovos, castanhas e coco), tucumã e pacovan. Depois de um breve descanso e almoço com peixes típicos da Amazônia (Tambaqui e Pirarucu), partimos para o município de Alvarães.

Nessa viagem pudemos entender um pouco da realidade da obra missionária na região e constatar a necessidade de recursos para fazê-la. Para alcançarmos nossa mais nova congregação naquela área, precisamos andar de carro por uns dez minutos até um ancoradouro. Lá, tomamos uma lancha que nos conduziu até a comunidade de Abial. Descemos da embarcação e seguimos numa caminhonete Hilux por mais 14km, até chegarmos ao nosso destino. Um detalhe: estávamos em sete pessoas mais o motorista, o que obrigou algumas irmãs da nossa equipe a viajarem na carroceria. O condutor parecia ignorar a situação e passava buracos e curvas sem qualquer redução de velocidade. Essa é a realidade do Ev. Resplandes, encarregado da obra em Tefé, e seus cooperadores que, pelo menos uma vez por semana, realizam esse trajeto.

Em Alvarães, estivemos na casa do Aux. Enilson, dirigente da obra naquela localidade. O irmão e sua esposa, irmã Márcia, junto com os quatro filhos moram à beira de uma floresta numa casa sem paredes, apenas vigas e telhado. Abaixo do nível da rua, eles têm um compartimento mais reservado onde fazem os dormitórios. Carinhosamente chamam a sua moradia de “nossa casa de vidro”. Irmã Márcia, com o coração cheio de gratidão, nos testemunhou que antes vivia numa casa de papelão, mas que agora o Senhor havia dado a sua família tudo o que eles precisavam, inclusive uma geladeira. A paz e a alegria do Espírito Santo eram muito fortes dentro do lar daqueles servos do Senhor, e, mesmo na total simplicidade, a limpeza e organização do ambiente mostravam a diferença entre quem serve e quem não serve a Deus. Saindo da casa de nossos irmãos, caminhamos sob um sol escaldante até a nossa congregação, distante alguns quarteirões. No caminho, pudemos evangelizar algumas pessoas e orar por uma senhora que disse desejar muito ir na igreja, mas se via impedida por enfermidade nos pés. No retorno, enfrentamos um terrível temporal. Nossas irmãs que viajavam na carroceria tiveram que contar com uma lona azul por abrigo, o que não foi suficiente para proteger os “penteados”. Ao chegarmos no “porto”, estavam numa luta entre lona, pau de selfie e pente. O relatório era de “perda total”, com cabelos revoltos e roupas ensopadas.

À noite, tivemos um culto na sede, em Tefé. A igreja estava lotada. Muitos jovens presentes. A irmã Karine foi poderosamente usada pelo Senhor na ministração do louvor, falando diretamente aos moços e moças. A glória de Deus tomou conta do lugar. Não foi necessário pregar, pois o Espírito Santo tomou conta da juventude e foi dada toda a liberdade para Ele agir. Na oportunidade, Deus usou cada uma das irmãs da equipe de uma forma muito especial, orando, aconselhando, ministrando a bênção de Deus sobre aquela igreja.

No sábado, toda a área se concentrou na congregação Boca de Tefé, distante de Tefé quase uma hora de canoa. Alertadas sobre a abundante presença dos carapanãs, mosquito transmissor da malária, e dos micuins, espécie de carrapato que entra para baixo da pele, nos preparamos com bastante repelente. A bordo da Heróis da Fé II, nos colocamos a caminho seguindo pelo Lago de Tefé, depois Rio Solimões e Rio Negro. No trajeto, palafitas e comunidades flutuantes davam ideia da imensidão ainda por ser alcançada. Botos e pássaros pescadores deram espetáculo por conta da natureza.

Ao chegarmos, nos deparamos com o estacionamento da igreja: um ancoradouro com canoas que transportavam quase duas dezenas de pessoas cada uma. Para um povo acostumado com o asfalto, era uma cena singular. A consagração iniciou às 9h e se estendeu até 17h. O povo não se movia do lugar, atento aos ensinamentos da Palavra de Deus ministrados na EMOb. No final, houve batismo no Espírito Santo e vários testemunhos de libertação em diversas áreas. O jejum foi encerrado coletivamente com um sopão.

No retorno, descobrimos que a descida é mais difícil que a subida. Foram alguns escorregões na lama, calçados perdidos, pés completamente sujos, sem comentários para as roupas, mas “em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Rm 8.37). A alegria de poder compartilhar do Pão do Céu estava acima de qualquer dificuldade.

No domingo à noite, na sede da área, tivemos mais um culto onde cada uma das irmãs participante da equipe, de formas distintas, foi usada por Deus.

Na segunda-feira pela manhã, retornamos a Manaus. A fúria do Inimigo contra a obra de Deus se manifestou nesse dia numa forte batida no ônibus por meio do qual nos deslocávamos, já na capital. Mas, mais uma vez, a mão do Senhor se manifestou em nosso favor. À noite, demos continuidade na EMOb. Tal era a vontade da igreja de ouvir os estudos bíblicos, que, tanto em Manaus quanto em Tefé, os irmãos pediram para estarem presentes na escola.

Foi maravilhosa a ação do Espírito Santo! As irmãs foram participativas e aproveitaram o momento para tirarem dúvidas a respeito de diversos assuntos. Na terça-feira à noite, todas as irmãs da equipe participaram das atividades do culto, e a escola foi encerrada com a ministração da matéria “Batalha Espiritual”. A glória de Deus foi derramada sobre a igreja nesse último dia de forma tal, que vários irmãos caíram prostrados com seu rosto no chão suplicando a misericórdia divina. Entre abraços, risos e lágrimas, nos despedimos de nossos amados irmãos para, ainda na madrugada, iniciarmos o retorno aos nossos lares.

“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” (2 Co 6.7)

* Participaram da equipe as seguintes irmãs: Dcª Gládis Machado, Superintendente da UF e professora da EMOb, que coordenou a viagem; Dcª Nélida Santos, supervisora da UF no Amazonas, que atuou nas atribuições do seu cargo; Dcª Claire Loss Carpes, que atuou como conselheira e no evangelismo infantil; Irª Lucimara Chapuiz de Oliveira, que atuou no evangelismo infantil, louvor e comunicação; Cantora Karine Almeida, que atuou no louvor, evangelismo infantil e comunicação, Irª Aline Duarte, que coordenou a logística da viagem e também, como enfermeira, ministrou na EMOb em Tefé sobre assuntos relacionados à saúde da adolescente.

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