ANJOS FAZEM CIRURGIA – A experiência de uma menina que foi curada de câncer

   A menina, ao lado do pai, na época da                                      doença

Tudo parecia correr bem para a família Ourique até meados de abril de 1997. Habitantes da pequena cidade de São Nicolau, no Noroeste gaúcho, os três moradores da casa levavam uma vida tranquila e sem maiores percalços.

O casal Rosângela e Emanoel criavam a única filha com muito amor, esforçando-se no trabalho e na dedicação à igreja para poderem proporcionar à menina uma educação de qualidade. Lidiane, então com onze anos de idade, era uma mocinha alegre, carinhosa e disposta, que estudava, brincava e, nas horas vagas, também auxiliava a mãe nos afazeres domésticos. No entanto, naquele mês, Rosângela começou a estranhar ao perceber um decréscimo na disposição da filha. Sempre que lhe solicitava algo, a menina queixava-se de dores abdominais.

No início, não deu importância, pensando que fosse apenas uma desculpa infantil para não ter que deixar as brincadeiras e atender às solicitações maternas. Porém, as queixas se tornaram recorrentes, e os pais decidiram levá-la a uma consulta médica, pensando em algum pequeno problema que, com alguns dias de medicação, seria logo resolvido. Sequer imaginavam o que estava por vir.

Na primeira consulta, o médico percebeu que o volume abdominal da menina não parecia normal e solicitou uma ecografia. Com o resultado do exame, ainda sem saber ao certo o que estava ocorrendo, a família foi encaminhada a Porto Alegre, pois o caso dela precisaria de recursos não disponíveis na região.

A mãe até arriscava um palpite: poderia ser algum problema no apêndice, já que a dor parecia se concentrar na região onde este órgão está localizado. Já no Hospital de Clínicas, na capital, uma bateria de exames e uma biópsia foram feitos. Só então o diagnóstico final foi dado: Lidiane estava com câncer.

Na documentação médica, constava Linfoma não-Hodgkin tipo Burkitt, um tipo de tumor muito agressivo, que pode duplicar de tamanho em apenas 24 horas. Embora a notícia fosse terrível, a família não se desesperou e, como sempre havia feito frente aos problemas que até então tinha enfrentado, decidiu confiar em Jesus.

Os médicos explicaram que o tratamento seria pesado: os pais teriam que deixar seus empregos no interior para ficar na capital no mínimo oito meses, período em que Lidiane enfrentaria sessões de quimioterapias e, muito provavelmente, muitas infecções e internações hospitalares, inclusive em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Rosângela e Emanoel seguiram as recomendações médicas e deixaram seus trabalhos para cuidar da filha. O pai, principalmente, preocupava-se em como fariam quando as reservas financeiras terminassem. Mas, ainda assim, a confiança em Deus não se abalava.

O tratamento começou e, como previsto, a imunidade de Lidiane despencou. Os riscos de infecções eram constantes. Mas a confiança em Deus não se abalava. Um dia, porém, a situação se agravou muito.

Fazia dois meses que o tratamento iniciara. Lidiane, com uma febre altíssima, sentia uma terrível sensação de morte. O pessoal do corpo clínico corria para salvá-la. Sua mãe, ao seu lado, orava pela filha. A menina já não podia falar. Suas lágrimas corriam. Foi então que, em pensamento, orou: “Deus, se tu tens um plano comigo, cura-me, e contarei o milagre onde eu for”. Ao terminar a oração, viu dois anjos entrarem no quarto. Não pôde olhar para seus rostos, pois brilhavam como o sol. Eles tocaram no local da biópsia e extraíram algo que sua mente infantil comparou a um bombom. Lidiane entendeu na hora que a malignidade do tumor fora retirada.

A partir daí, todo desconforto, dor e febre desapareceram imediatamente: nem mesmo o incômodo pelas sessões de quimioterapia – que, por precaução médica, ainda se seguiram (embora por um período bem mais curto do que os médicos haviam determinado no princípio) – ela sentia mais.

Contrariando os pareceres médicos iniciais, em poucas semanas, Lidiane pôde voltar para casa: curada! Mas a vida da família nunca mais seria a mesma. Ainda durante o tratamento, Emanoel conseguiu um emprego, bem em frente ao hospital, que lhe dava direito a um apartamento.

Mesmo com a cura, a família decidiu não voltar mais para o interior. Além disso, a experiência com Deus fez com que a convicção no poder de Cristo aumentasse e, com isso, o compromisso com Ele também aumentou. Tudo isso faz 21 anos. Lidiane cresceu, graduou-se em uma faculdade e casou-se. E, principalmente, tem mantido a promessa: hoje, ao lado de seu esposo, Ev. Diniz, vive no estado do Espírito Santo, onde sua principal atividade é falar a outros a respeito desse Jesus que a curou!

 

 

               Lidiane, já adulta, diante do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

 

TUMOR DE BURKITT

O que é? É um tipo específico de tumor de células B. Pertence ao grupo dos linfomas não Hodgkin. A maior incidência da doença está na África equatorial, e foi lá que o cirurgião Dennis Burkitt observou pela primeira vez que o tumor era frequente na mandíbula. No restante do mundo, geralmente é encontrado primeiro no abdome.

Quais são as causas? Este tumor está frequentemente associado ao vírus Epstein-Barr, um tipo de herpes-vírus que causa mononucleose infecciosa e é encontrado na maioria das pessoas; o tumor é mais comum em crianças do que em adultos. Não se sabe o motivo de causar câncer em situações esporádicas.

Quais são os sintomas? Um tumor na mandíbula causa dor, edema e afrouxamento dos dentes; se é abdominal, provoca dor e edema local. A propagação para outras áreas pode ser rápida. É interessante mencionar que os linfomas não-Hodgkin, dependendo de sua localização, podem estar entre as causas da síndrome da veia cava superior (SVCS), que é definida como um conjunto de sintomas e sinais decorrentes da limitação do fluxo sanguíneo em alcançar o átrio direito do coração pela veia cava superior.

Fontes: YOUNES, Riad N.; KATZ, Artur; BUZAID, Antônio Carlos. Câncer de pulmão: tratamento multidisciplinar. São Paulo: Dendrix Edição e Design, 2008. O Sangue & o Sistema Imune: seu corpo, sua saúde (tradução Claudia Caetano de Araujo). 2.ed. Rio de Janeiro: Reader’s Digest, 2013.

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