PERSEVERANÇA: A ARMADURA DA IGREJA NA HORA FINAL

“Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mt 24.13).

Assim como na passagem acima, também lemos sobre perseverança em Romanos 5.3 e 4: E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.

Falando a respeito dos últimos dias àqueles que o seguiam, especificamente a propósito dos acontecimentos que precederiam a Sua vinda para arrebatar a igreja, Jesus estabeleceu a perseverança como a grande arma para o Seu povo ser salvo.

Sabemos que os últimos dias da igreja na Terra são dias de tão forte pressão do mundo e de pecado, a ponto de quase todos esfriarem no amor. Ele disse: E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos (Mt 24.12).

Sobre os últimos tempos, disse Jesus: Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, na terra? Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos (Lc 18.8; Mc. 13.22). Os momentos que antecedem a vinda de Jesus e o arrebatamento da igreja se caracterizam justamente por essa dificuldade de se manter santidade, fé e convicção. Vejamos as oposições enfrentadas pela igreja, nos últimos tempos: a) Convicção versusengano e apostasia; b) Fé versus incredulidade; c) Amor a Deus e santidade versus mundanismo.

Em meio a todo esse esfriamento, sabemos que somente o remanescente será salvo. Portanto, a característica fundamental e principal da igreja que subirá no arrebatamento é a perseverança.

Uma igreja pode buscar santidade, mas se não tiver perseverança fatalmente ela será influenciada pelo mundo e pouco a pouco será dominada pelo mundanismo. Um crente pode ter convicções, conhecimento teológico, pode estudar a Bíblia na Escola Bíblica Dominical ou em outros cursos, mas se ele não tiver perseverança, ao se deparar com o mundo, não suportará o combate e acabará cedendo. Pode até levar uma vida constante de oração e jejum, mas se não perseverar na hora má, tudo o que ele fez antes não será suficiente para que possa vencer a batalha; ele cairá.

Evidentemente, perseverança não significa comodismo, estagnação, mas andar para frente, caminhar. Perseverança é a busca constante de uma revelação de obediência a Deus, é progresso espiritual. Precisamos buscar esse crescimento em graça, em glória, em virtude, em conhecimento e em revelação. Essa revelação sempre será ascendente e não descendente, ou seja, deve causar uma evolução na nossa vida de intimidade com Deus e não uma involução que nos aproxime das coisas do mundo. Jesus disse: e quem é santo, santifique-se ainda (Ap 22.11).

Um exemplo de estagnação é quando o crente pensa: eu só aceito aquilo que eu já vi. Se Jesus resolve curar uma pessoa que está com cárie e faz-lhe uma obturação, esse crente não acredita. Se Jesus batiza alguém com o Espírito Santo e essa pessoa recebe tanto poder que chega a flutuar no ar, esse crente não acredita; porque nunca viu aquilo antes, ele não aceita. Isso não é perseverança, mas estagnação.

Perseverança é firmar-se nos princípios de Deus; é afastar-se do mundo, mas também implica em progresso. Você verá coisas que nunca viu. Deus te usará como nunca te usou. Ele vai te dar revelações novas, mas dentro do princípio da Sua palavra.

A revelação de Deus é progressiva, e tem duas características: a) Nunca é contrária à Palavra de Deus. A revelação de Deus sempre confere coisas espirituais com coisas espirituais (ler 1Co 2.9-16); b) Sempre nos aproxima de Deus e nos afasta do mundo. Veja: “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10a) e “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal” (Pv 8.13a).

 

COMO A PERSEVERANÇA É PRODUZIDA?

Essa perseverança que necessitamos é produzida por uma ação divina. Paulo explica que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. A maneira de Deus nos fazer perseverantes é através das tribulações. Isso não é porque Deus é um carrasco, mas porque ele quer nos fortalecer. Crente que não passa por tribulação não tem perseverança. São as tribulações que nos vão calejando; que nos fazem não desistir diante de qualquer adversidade.

O processo de tribulação é um processo paulatino. Deus nunca nos dará uma carga que não possamos suportar. A tribulação que você passa com vinte anos de crente não é a mesma que você passou quando era novo convertido, porque naquele período você não iria suportar. Então, Deus te deu uma pequena tribulação quando você era novo convertido, e assim você foi ficando cada vez mais resistente.

Por que passamos por tribulações? Porque é justamente a perseverança durante a tribulação que vai nos dar EXPERIÊNCIAS. A maior diferença entre o verdadeiro cristianismo e as demais religiões é a experiência com Deus. Outras religiões e crenças baseiam-se em teses ou filosofias em que basta a pessoa acreditar em algo, como purgatório ou reencarnação, por exemplo, sem ter passado por aquilo. Alguém que crê no budismo, por exemplo, vai acreditar que haverá uma transmigração da sua alma, e ele poderá reencarnar em um animal, por exemplo, progredindo nos diversos níveis até atingir o seu karma.

Jesus disse que para ser salvo é preciso passar por uma experiência: o novo nascimento. Infelizmente, muitos ramos evangélicos têm se desviado e caído na mesma vala comum da filosofia religiosa; têm dito apenas o seguinte: basta que você diga que crê em Jesus e que Jesus te salvou, e pronto, você está salvo. Isso é mentira de Satanás. Jesus disse que é preciso nascer de novo, é preciso ser transformado.

 Outra experiência que marca a vida de um cristão é o batismo com o Espírito Santo, que é evidenciado pelo falar em novas línguas, conforme lemos em Atos 2. Veja o que disse Jesus aos seus discípulos:Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados (Mc 16.17-18). Sinais são evidências, são experiências.

Uma vida cristã sem experiências é uma vida cristã morta. A única maneira de termos uma experiência com Deus é quando passamos por uma situação na qual sentimos uma grande necessidade de Deus.

A igreja precisa ser perseverante nas horas difíceis. Muitos crentes abandonam os trabalhos na casa do Senhor quando vêm as primeiras lutas. Alguns pensam: como eu vou pregar a cura divina se um familiar meu está doente.

Olhando para a Bíblia Sagrada, vemos que nos maiores milagres que Deus fez, Ele permitiu que a pessoa fosse provada, para que a experiência fosse grande. Vejamos o caso de Jairo. Jairo foi até o Senhor Jesus, se prostrou e o adorou, pedindo-lhe que fosse até a sua casa, pois sua filhinha estava doente. Jesus começa a caminhar para a casa de Jairo. Quando eles estão quase chegando, alguém diz para Jairo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. Imagine a tribulação daquele homem! Ele foi até Jesus, depositou sua fé nEle, adorou-o, levou-o para sua casa, e depois de tudo isso recebeu a notícia de que a sua filha estava morta. Jairo poderia ter dito para Jesus: Jesus, olhe o que aconteceu! Você está dispensado, Jesus! Mas Jairo continuou caminhando com Jesus, e a sua perseverança levou Jesus para dentro do quarto da sua filha. Jesus chega e diz: Menina, levanta-te; e a menina voltou a viver. Jairo teve uma experiência porque perseverou na hora da tribulação (Lc 8. 40-56).

Outro exemplo de perseverança é o cego de Jericó. Quando ele ouviu que Jesus estava passando, começou a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim. Mas muitos começaram a repreendê-lo, para que ficasse calado. Ele, ao contrário, gritava ainda mais. Jesus o chamou e o curou (Mc 10.46-52).

Jesus afirmou, após receber a notícia da doença de Lázaro: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado (Jo 11.4). Contraditoriamente, ao chegarem em Betânia, Lázaro já estava morto há quatro dias e até cheirava mal. Será que Jesus se enganou, ou falhou? Tanto Maria quanto Marta, irmãs do morto, tropeçaram nesse ponto. Marta disse para Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. Elas não estavam compreendendo a profundidade da experiência que Deus queria dar-lhes.

Quando Jesus manda tirarem a pedra, Marta põe uma oposição, uma pedra maior do que a pedra física que estava no sepulcro: seu intelecto e seu raciocínio mostravam um quadro de derrota e ela somente pensava no mau cheiro que sairia do túmulo. Temos que entender que nós vamos somente até a morte; Jesus vai além da morte. Jesus nos promete vitórias, mas muitas vezes sentimo-nos derrotados e pensamos que é o fim; Jesus vai além. Ao final, sabemos que Jesus ressuscitou a Lázaro.

Quando achares que a tribulação te venceu; que Deus não está presente; que Ele te deixou só, como Marta e Maria pensavam, não creia. Isso é mentira da tua razão. Aquilo que Deus nos promete Ele sempre cumpre!

Precisamos perseverar até o fim. Até depois do fim, se necessário for. Só assim vamos experimentar a vitória de Deus e vamos compreender que o nosso fim não é o fim dEle. No meio da tua tribulação ele vai te encontrar.

About The Author

Pr. Humberto Schimitt Vieira

Presidente da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração, no Brasil, e do “Restoration Ministries”, nos Estados Unidos da América. Bacharel em Teologia, é conferencista, editor, professor de Missiologia e autor de diversos livros

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