O PREÇO É ALTO, MAS VALE A PENA

Durante seu reinado, o rei Acabe, instigado por sua mulher Jezabel, havia mandado matar as pessoas que temiam a Deus e guardavam seus mandamentos (1 Rs 18.4). Todo o povo tinha conhecimento disso.
Nesse período, vivia em Israel um homem chamado Nabote. Este havia sido instruído na lei de Deus, e também instruiu os seus filhos, procurando viver em obediência a esta Palavra. Porém, Acabe passou a pressioná-lo para romper com um princípio da Lei, vendendo uma propriedade que pertencia a sua família (Dt 19.14). O rei ofereceu a Nabote largas vantagens caso ele se dispusesse a fazer um negócio contrário à Palavra de Deus.

A chácara de Nabote se limitava com o palácio de inverno de Acabe e agora este, desejando ampliar a sua propriedade, ofereceu um bom preço em dinheiro a Nabote ou outra chácara muitas vezes melhor do que a que ele tinha (1 Rs 21.1-2). Nabote sabia que uma palavra contrária ao pensamento do rei poderia condená-lo à morte (1 Rs 18.12). As circunstâncias exigiam dele um posicionamento, como também exigiram dos apóstolos em certas ocasiões. Ou ele expunha-se à morte, posicionando-se ao lado de Deus e de Sua Palavra e conservando a pureza de seu coração e a sua comunhão com Ele, ou entregava-se aos caprichos de Acabe, desonrando ao Senhor. Nabote não hesitou, como também não hesitaram os apóstolos, quando confrontados com situações semelhantes (1 Rs 21.3; At 5.29).
No tempo de Moisés, havia um corpo de 70 anciãos que o auxiliavam no governo da nação e defendiam diante dele os interesses do povo (Nm 11.16,17). Em cada cidade havia anciãos que eram os chefes das principais famílias e estes dirigiam os negócios do povo (Dt 19.12). Quando as igrejas do Novo Testamento foram fundadas, essa forma de administração teve continuidade (At 20.17). Os anciãos tinham a responsabilidade de zelar para que a Igreja se mantivesse dentro dos princípios ensinados pelos apóstolos (At 20.28-31).
Quando Nabote posicionou-se ao lado de Deus e da Sua Palavra, contrariando o pensamento do rei, este, caído da graça de Deus como estava, ficou indignado (1 Rs 21.4). O destino de Nabote estava marcado. Jezabel, com o consentimento de Acabe, passou a agir em nome do seu marido, determinando que o corpo de anciãos condenasse Nabote à morte (1 Rs 21.8-10).

Os anciãos eram encarregados de dirigir os negócios do povo e defender os seus interesses. Enquanto Nabote, corajosamente, posiciona-se ao lado de Deus e da Sua Palavra, os anciãos, covardemente, curvaram-se diante dos espúrios interesses pessoais de um rei afastado de Deus, que cuidava apenas de seus interesses pessoais (conservação do cargo, da posição social, da aceitação do povo), e condenaram um inocente (1 Rs 21.11-13).
Nabote e seus filhos selaram com a própria morte a preservação e a defesa dos marcos estabelecidos por Deus (1 Rs 21.14; 2 Rs 9.26).
Há centenas de anos Nabote e seus filhos estão na eternidade. Acabe, Jezabel e todos aqueles anciãos também. Cada um está recebendo o galardão de acordo com a vida que levaram neste mundo, assim como também receberemos o nosso.

Com certeza, se Nabote, hoje, pudesse conversar conosco, diria: “o preço foi alto, mas valeu a pena”.

Em nossos dias, muitas pessoas optam pelo caminho dos anciãos. Preferem a comodidade da concordância com sistemas que já não mais se submetem à Palavra de Deus do que a dureza de uma atitude como a de Nabote e a dos apóstolos.

Qual tem sido a tua atitude? “Eis que o juiz está à porta.” (Tg 5.9b).

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Irª Maria Schimitt Vieira

Membro da Sede Internacional da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração.

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