NÃO SE CONTENTE COM O NÉCTAR: PRODUZA MEL!

NÃO SE CONTENTE COM O NÉCTAR: PRODUZA MEL!

Depois de ter passado por Nazaré, no retorno para Cafarnaum, onde morava (Mc 6.11), Jesus, juntamente com seus discípulos (Mt 14.14), traçou um programa de evangelismo a ser realizado nos lugares onde passariam. Ele determinou algumas aldeias onde ele iria e outra onde, em duplas, iriam seus discípulos (Mc 6.6-8). O ponto de reencontro seria às margens do Mar da Galiléia. Quando ali chegaram, os companheiros do Mestre passaram a lhe relatar o que haviam feito e ensinado. Foi nesse momento que Jesus recebeu a notícia de que João Batista havia sido decapitado (Mc 6.3). João não era somente um primo-irmão de Jesus. Ele era o que o Senhor dizia ser realmente a sua família, pois buscava fazer a vontade do Pai (Mt 12.50).

Após essa longa jornada, atravessaram o lago. Quando finalmente chegaram ao lugar de repouso, Jesus estava com o coração partido com a morte de João, e todos cansados e com fome. Mas, ao invés de um lugar tranquilo para descansar, uma grande multidão os aguardava (Mc 6.31,34). Jesus, com seu coração cheio de misericórdia (misericórdia é pesar despertado pelo mal dos outros, piedade), vendo todo o sacrifício que aquelas pessoas haviam feito, estando ainda cedo ali, percorrendo a pé grande distância, como ovelhas sem pastor a procura de uma orientação, de um socorro para suas vidas, esqueceu a sua própria dor e dos seus discípulos e começou a ensinar-lhes a Palavra de Deus e a curar os enfermos que se faziam presentes (Mc 6.14).

Nos tempos antigos, como não havia nenhum sistema de som, quando um pregador precisava ser ouvido por uma multidão, precisava de auxiliares para transmitir a mensagem. A multidão era dividida em grupos e os ajudantes do preletor retransmitiam a mensagem a cada um desses grupos. Seguramente era um trabalho complexo que exigia muito esforço dos colaboradores do pregador. Foi por meio desse sistema que Esdras conseguiu ensinar a Palavra de Deus a todo o povo nos seus dias (Ne 8.1-7). Os auxiliares que Jesus teve nessa exaustiva atividade, foram seus próprios discípulos. Embora eles ainda fossem jovens, com todo o vigor, depois de um dia inteiro de intenso trabalho, estavam cansados. Aproximando-se de Jesus, pediram que ele despedisse o culto. Todos precisavam alimentar-se, pois tinham passado o dia inteiro sem comer. Muitos moravam longe e precisavam arrumar pouso em algum lugar (Mc 9.12) e o dia estava acabando. O Espírito Santo havia colocado no coração de Jesus o que deveria ser feito, mas para que houvesse unidade de pensamento entre ele e seus jovens companheiros, todos com idade aproximada de trinta anos (Lc 3.1), começou a dialogar com eles sobre o que deveriam fazer (Jo 6.5-9). Depois de discutirem como poderiam alimentar tantas pessoas (Jo 6.5), Jesus decidiu testar se a confiança de seus discípulos estava depositada nos recursos naturais ou no poder ilimitado de Deus (Jo 6.6) e deixou ao cargo deles a providência de uma refeição para toda a multidão antes que iniciassem o retorno aos seus lares.

Ao receberem do Mestre a ordem de alimentarem cinco mil homens além de mulheres e crianças, logo começam a estudar um meio natural, um meio humano, para resolver o problema. Calcularam que para dar um lanche para cada pessoa lhes custaria duzentos denários (a moeda romana na época). Era impossível conseguirem aquele valor. Saíram, então, em meio à multidão para ver quem poderia repartir seu lanche. Só encontraram um disposto a repartir sua minúscula marmita. Frustrados, voltaram a Jesus “Senhor só conseguimos cinco pães e dois peixes”. O Senhor já tinha o necessário para que o milagre acontecesse. Pediu que lhe trouxessem aquela pequena vianda que um menino trouxera de sua casa, agradeceu ao Pai e mandou que servissem. Segundo o relato bíblico, “comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias. E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças” (Mt 14.18-21). Pelo pouquinho que uma criança trouxe da sua casa, Deus não só alimentou uma multidão com fez os seus obreiros crescerem no conhecimento de seu poder e assim ampliarem a revelação do que Ele tem para sua igreja.

Nos nossos dias essa história se repete. Os escolhidos para ministrarem a Palavra à igreja estão exaustos, esgotados pelo combate diário pela fé, pelas ovelhas. Cada mensagem que ouvimos nos cultos, nas EBDs, no rádio, são como o néctar colhido pela abelha. Ele se tornará em “mel” lá na “colmeia”, o lar.

Quando cada crente passa a pôr em prática os ensinamentos de Jesus dentro na sua casa, construindo ali um altar de oração e obediência à Palavra, é produzido o alimento que, quando trazido para a igreja, passa a ser repartido entre todos, gerando o crescimento espiritual tanto nos líderes quanto em todo o corpo de Cristo.

O mel depende do que fazemos com o néctar que recebemos na igreja. Qual tem sido a nossa atitude?

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Irª Maria Schimitt Vieira

Membro da Sede Internacional da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração.

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