MINISTÉRIO RESTAURAÇÃO: A REPETIÇÃO DA HISTÓRIA DA PÁSCOA

Um pouco de história

No livro de Êxodo, capítulo 12, a Bíblia nos conta a história do surgimento da páscoa.

A família de Israel, juntamente com todos os seus empregados, haviam ido para o Egito ao tempo que um israelita, José, era o governador daquele império. José, interpretando um sonho que faraó (título do imperador do Egito) havia tido, previra sete anos de fartura e depois sete anos de seca. Nos sete anos de fartura, juntou alimentos nos armazéns do Egito. Nesse período de seca em todo o Oriente, José convidou seu pai, Israel, com todo o povo que estava com ele, para irem ao Egito.

Ao invés de, no final da seca, voltarem para a terra que Deus havia lhes dado, os israelitas permaneceram no Egito. José morreu. Outro governador assumiu seu lugar. Com o tempo, os israelitas tornaram-se escravos.

Ou seja, o Egito foi bom somente para matar a fome em tempo de seca. Porém, quando eles amaram o Egito e lá permaneceram, o que era fonte de sustento passou a ser fonte de escravidão.

Situação do povo

Passaram-se 430 anos desde a chegada dos israelitas ao Egito. Embora fosse escravo e humilhado pelos egípcios, os israelitas desfrutavam de proteção contra outros povos, já que viviam sob a tutela do grande império de então: o Egito. O abundante húmus às margens do Rio Nilo representava um formidável adubo que fazia do Egito um produtor de frutas, legumes e especiarias, além de proporcionar abundância de carne.

Enfim, apesar do sofrimento, o povo de Deus estava acomodado, quer pelo longo período de mais de seis gerações vivendo no Egito (eles não conheciam outra vida e, por isso, amavam aquela terra como se fosse sua), quer pelos benefícios que lá desfrutavam. Porém, em um determinado momento, o povo começou a clamar, e o clamor chegou até Deus (Ex 3.9).

 

O coração de Deus 

Deus viu o sofrimento e ouviu o clamor dos israelitas, povo que havia escolhido para lhe servir e adorar. Enviou Moisés – um israelita que fora criado como filho da filha de faraó e fugira para o deserto por ter matado um egípcio que estava ferindo um israelita – para livrar o seu povo da escravidão. Moisés teria dois obstáculos: faraó e a acomodação de muitos do povo a uma situação miserável.

Quando Moisés chegou ao Egito, informou a faraó sobre a missão divina que lhe cabia. Faraó, para não perder a imensa força escrava que lhe servia, impediu o povo de sair. Deus enviou nove pragas sobre o Egito. A cada praga, faraó pensava em liberar o povo de Deus, mas depois, passada a praga, retrocedia.

Chegamos, assim, no capítulo 12 de Êxodo.

Deus disse a Moisés: esse mês será o mais importante para vocês, e a partir dele o meu povo começará o seu calendário, pois no dia 10 eu vos libertarei. Será a minha páscoa, ou seja, passagem.

 

As orientações de Deus

Deus deu algumas orientações:

1) cada família ou grupo de famílias que tenha condições de comer um cordeiro de um ano em sua totalidade imolará um desses animais, sem defeito, no crepúsculo (v.4);

2) tomarão do sangue do cordeiro e com ele marcarão os marcos da porta de cada casa dos israelitas (v.5);

3) naquela noite comerão todo o cordeiro assado, inclusive as entranhas, juntamente com pães sem fermento e ervas amargas (v.8);

4) o cordeiro deveria ser comido às pressas, e os comensais deveriam estar prontos para viajar, com o cinto apertado, sandálias calçadas e cajado na mão (v.11);

5) quando à meia-noite, Deus ferisse todo o primogênito no Egito onde não houvesse marca de sangue na porta, todo o povo deveria sair apressadamente (v.12);

6) depois que o povo saísse do Egito e voltasse para a sua terra, deveriam todos os anos comemorar, naquele mesmo dia e mês, o início do calendário, de uma nova vida, fazendo a mesma refeição que seria denominada PÁSCOA, relembrando a PASSAGEM de uma vida de escravidão para uma vida de liberdade (v.14).

 

Os acontecimentos

Quando o povo fez o que Deus ordenara, à meia noite, foram mortos todos os primogênitos do Egito, humanos e animais (v.29). Ao ver seu primogênito morto e o clamor que se levantava de cada rua da capital do Império, faraó chamou Moisés e Arão e lhes ordenou que saíssem do Egito, juntamente com todo o povo de Israel.

A ânsia dos egípcios era tão grande que davam os seus bens aos israelitas (v.36), e foi com o ouro que os escravos ganharam nessa noite que puderam construir o tabernáculo para Deus quando passaram quarenta anos no deserto.

A multidão que saiu naquela noite do Egito foi muito grande: seiscentos mil homens, sem contar mulheres e crianças.

Quando faraó se deu conta que havia perdido a formidável mão-de-obra israelita, especializada e barata, voltou atrás de sua ordem e envio numeroso exército para escravizar novamente o povo de Israel (14.9). Foi aí que Deus abriu o Mar Vermelho, o povo de Israel passou e, quando o exército egípcio foi passar, as águas se fecharam, causando grande mortandade (14.30).

 

Aplicação prática

A Bíblia diz, a respeito de si própria, em 2Tm 3.16, que tudo o que nela está escrito é útil para nosso ensino. Assim também, a instituição tem uma extraordinária aplicação prática e profética.

 

O Egito

O Egito representa o sistema mundano, sem Deus, e faraó representa o diabo, príncipe desse mundo (Jo 14.30). Representa, também, toda a situação fora da vontade de Deus em que podemos estar. Assim como o Egito tinha suas coisas boas, assim também o mundo oferece seus prazeres, e da mesma forma, mesmo quando estamos em uma situação fora da vontade de Deus ali também encontraremos algumas vantagens. Esses benefícios nos fazem acomodarmo-nos em uma situação de escravidão e miséria espiritual e, quanto mais tempo ficamos nessa situação, mais nos convencemos que o nosso “destino” é permanecer naquela situação, até porque, muitas vezes, não vemos outra saída. E aí podemos ficar, como ficaram os israelitas por mais de 400 anos.

 

Condições para sair do Egito

1) Reconhecer que o mundo e as situações fora da vontade de Deus, apesar das coisas boas que oferecem, são na verdade fontes de miséria e escravidão;

2) Um desejo profundo de libertação, traduzido no clamor a Deus pelo fim daquela situação;

3) Estar disposto a abandonar os benefícios do Egito, suas terras férteis, melões, pepinos, etc, em troca da liberdade para adorar a Deus e servi-lo em santidade;

4) Crer no cordeiro imolado e no poder de seu sangue. O cordeiro imolado representa Jesus. O cordeiro que Deus mandou sacrificar teria que ter um ano, ou seja, não poderia ter gerado cria (a idade reprodutora do carneiro começa entre 12 a 18 meses), assim como Jesus não gerou família; o cordeiro teria que ser sem defeito, assim como Cristo não pecou; o cordeiro teria que ser imolado no crepúsculo e, para que se cumprisse a tipologia, quando Cristo foi crucificado, mesmo sendo ao meio-dia, houve trevas sobre a terra (Mt 27.45). É maravilhoso ver que Deus faz até o crepúsculo adiantar-se em seis horas para que o plano na vida de seus filhos se cumpra, quando, é claro, os seus filhos abrem mão de sua própria vontade para aceitar a vontade do Pai, tal como Jesus fez no Getsêmani (Mt 26.42). Quando cremos no poder do sacrifício e do sangue de Jesus perante Deus, quando reconhecemos nossa miséria e que não temos méritos diante de Deus, mas que pelo valor do sacrifício de Jesus diante de Deus podemos obter sua misericórdia, o Senhor estará pronto a nos tirar com mão forte do nosso Egito. No processo da salvação das nossas almas, o imolar o cordeiro representa o arrependimento de nossos pecados e a fé que Cristo pode nos perdoar.

5) Comer todo o cordeiro assado. O cordeiro deveria ser totalmente comido, inclusive as entranhas, e assado. Cristo, o cordeiro de Deus, é apresentado pela Bíblia como sendo a palavra de Deus (Jo 1.1,14). Ou seja, para que sejamos livres do Egito ou dos “egitos” que nos escravizam, devemos estar dispostos a “comer” toda a palavra de Deus. Os israelitas, ao comerem o cordeiro, tanto as partes agradáveis ao paladar, como a costelinha, quanto as partes nem tão agradáveis, como as glândulas, intestinos, etc, determinaram que a carne do animal, após ser digerida, fizesse parte de seus corpos. Assim também quando lemos, ouvimos e, principalmente aceitamos TODA a palavra de Deus, tanto as partes que “gostamos” quanto as partes difíceis de serem digeridas pela nossa vontade, a Palavra então fará parte de nossas vidas e nos fará aptos a sairmos do Egito e não desfalecermos de fome no deserto. Muitas pessoas recebem o poder do sangue de Jesus, são perdoadas de seus pecados, Deus lhes dá a oportunidade de saírem de uma situação terrível, mas por não compreenderem ou aceitarem toda a palavra de Deus desfalecem no caminho e acabam retornando para o Egito, para uma vida de miséria espiritual, fora da vontade de Deus. Porém, é importante ressaltar que o cordeiro deveria ser comido assado. O fogo,na Bíblia, é um dos símbolos do Espírito Santo. O cordeiro não poderia ser comido cru. A palavra de Deus não pode ser comida crua também. O leitor e ouvinte da Bíblia deve buscar o Espírito Santo. É Ele que “assa” a Palavra de Deus e possibilita que a entendamos, que possamos digeri-la. Tentar entender a Bíblia sem o auxílio do Espírito Santo é como tentar comer carne de cordeiro crua. Por fim, o cordeiro tinha que ser comido às pressas. Tenha pressa em “comer” a Palavra de Deus, ponha isso como prioridade em tua vida, para ter forças e orientação divina no caminho que terás que fazer após sair para o deserto em busca da terra prometida.

6) Temos que estar prontos para sair do Egito. Os israelitas deveriam estar vestidos como para viajar. Assim Deus quer que todos nós, que você leitor, esteja disposto a sair do Egito, HOJE. Não te prendas ao mundo, não te prendas a uma situação que você sabe que está te trazendo problemas espirituais, sofrimentos e lutas. Prepara teu espírito, tua alma, tua disposição mental para sair. Calce tuas sandálias, aperte teu cinto, pegue o teu cajado, e prepare-se para correr, para escapar dessa situação em que tu te encontras.

7) Quando Deus matasse os primogênitos, eles deveriam sair apressadamente. Nós somente conseguimos sair de um “Egito” quando Deus se move. Pelas nossas forças, continuaremos lá. Mas quando a mão de Deus age, nós temos que agir depressa. Quantas pessoas estão em uma vida de miséria, de sofrimento, de degradação moral, espiritual e financeira, e se queixam de Deus. Porém, quando Deus passou no seu Egito, feriu faraó, e lhes deu a chance de escaparem da escravidão, titubearam, ficaram com medo do deserto que teriam que passar, afinal, deserto é lugar de solidão, de carências e incertezas. Esquecem que estar no deserto com Deus é melhor do que ser escravo no palácio de faraó.

8) Quando escapamos de faraó, no outro dia ele voltará atrás de sua decisão de nos deixar ir, e virá com um exército poderoso. Jesus disse que quando um demônio perde uma batalha, ele busca forças sete vezes superiores às dele e sai ao encalce daquele que escapou do Egito. Quantas vezes, vencedores se tornam derrotados por não compreenderem que escapar do Egito não é o fim, e sim o início de uma jornada. Quando você sair do seu Egito, saiba que a luta apenas começou, que o pior está por vir, mas se você não baixar a guarda, não parar pelo caminho, mas marchar, Deus destruirá o teu inimigo, ele será afogado nas águas do Mar Vermelho.

 

Conclusão

Nesses quatro anos de AD Ministério Restauração, Deus tem formado uma formidável multidão, com milhares de pessoas que decidiram deixar seus “egitos”. Uns deixaram uma vida depravada e corrompida pelo pecado, outros, desviados, retornaram para os caminhos do Senhor e outros, ainda, milhares, deixaram uma vida de miséria espiritual que viviam em congregações que já não buscavam a Deus, que já não mais queriam “comer todo o cordeiro”, mas que estavam escolhendo para comer somente aquilo que mais apetecia a um paladar contaminado pela natureza humana corrompida.

E você, amigo, até quando permanecerá no teu Egito. Até quando continuará se queixando de uma vida de miséria espiritual, da escravidão da religiosidade sem Deus, do sofrimento espiritual em que você se encontra? Queixar-se não adianta! Entenda que Deus está se movendo, a mão de Deus está passando para trazer libertação.

A chance está contigo. Deixa as campinas do Rio Nilo, no Egito, e corra para o deserto, com Deus. Ele te conduzirá à terra prometida. Tenha atitude. Tenha coragem, calce as sandálias, aperte o cinto, pegue o teu cajado e corra, mas corra depressa. Atravesse o Mar Vermelho. Deus cuidará de ti!

About The Author

Pr. Humberto Schimitt Vieira

Presidente da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração, no Brasil, e do “Restoration Ministries”, nos Estados Unidos da América. Bacharel em Teologia, é conferencista, editor, professor de Missiologia e autor de diversos livros

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