AS LEIS DE DEUS

“Digo, porém, andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne.” Gl 5.16

Deus fez o mundo em equilíbrio. Para manter esse equilíbrio, instituiu leis. Assim, todo o universo é mantido mediante leis. No mundo em que vivemos existem dois tipos de leis: existem as leis éticas – leis do direito, as leis morais e, também, as normas religiosas – e as leis naturais, ou seja, as leis da natureza. Como exemplo das leis da natureza, podemos citar a “lei da gravidade”. Ela afirma que um corpo de maior massa atrai um corpo de menor massa. Se uma pessoa desrespeitar essa lei e se jogar de um edifício de dez andares, automaticamente, será atraída pela terra, que tem maior massa. A morte decorrente desse ato não seria um castigo e sim uma conseqüência da desobediência à lei. Ninguém poderá dizer que Deus castigou essa pessoa por ter se jogado do décimo andar. 

Porém, existem leis que, quando desobedecidas, exigem uma punição: são as leis éticas (normas legais, morais e religiosas). Se for uma lei moral, por exemplo, a punição será a rejeição do desobediente pelos demais. Se for uma norma religiosa, esta pessoa vai sofrer uma disciplina na sua igreja ou religião. Se for uma norma legal, ela vai pra cadeia ou terá que pagar multa, ou, em alguns países, irá até morrer.
Assim como Deus criou o mundo material em equilíbrio, Deus também criou o mundo espiritual dessa forma e esse equilíbrio também é mantido por meio de leis.

As leis do mundo espiritual também têm duas classificações: as leis éticas de Deus e as leis espirituais. As leis estabelecidas na Sua Palavra são as leis da ética divina, expressas nos mandamentos de Deus. Quando desobedecemos a esses mandamentos, praticamos algo que a Bíblia chama de pecado. O pecado gera uma punição. Existem dois tipos de punição divina: castigo, que é para crentes, e o juízo, destinado aos ímpios. 

Qual é a diferença entre castigo e juízo? A Bíblia diz, em Apocalipse 3.19, que Deus castiga a todos quantos ama. O castigo é uma punição divina visando o arrependimento da pessoa. 

Portanto, quando castiga alguém, Deus está manifestando o Seu amor, porque esse castigo visa afastar a pessoa de um caminho de morte, levando-a ao arrependimento. Assim, vemos que Deus somente castiga àqueles que são seus filhos. Já quando Deus exerce uma punição sobre o mundo, essa punição chama-se juízo. O juízo de Deus é a manifestação da justiça divina e não tem o propósito de ensinar. Por isso, a Bíblia diz que, após a vinda de Jesus, quando vierem os flagelos sobre este mundo, tais como fome, peste, terremoto, saraiva, os homens não vão correr dizendo “Senhor, nós nos arrependemos”. Pelo contrário, eles ainda vão blasfemar mais contra Deus. Isso vai ocorrer porque o castigo traz arrependimento, mas o juízo não. Assim, quando o Senhor castiga alguém, devemos dar glória a Deus, pois isso significa que tal pessoa ainda é um filho dele. 

Através da Bíblia, vemos que existe uma punição máxima, um juízo de Deus para o pecado. Em Ezequiel 18.4 está escrito “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”. Em Romanos 6.23, lemos o seguinte: “Porque o salário do pecado é a morte”. Assim, vemos que a punição pelo pecado é a morte. Morte significa separação. Morte espiritual significa separação de Deus. Morte física significa separação da alma do corpo. Quando alguém peca, quando alguém desobedece ao expresso mandamento de Deus, esta pessoa gera sobre si essa punição de separação de Deus. Por essa razão é que Deus fala através do profeta Isaías que “os vossos pecados fazem separação entre vós e o vosso Deus”. Para solucionar esse problema, a justiça divina exige que alguém cumpra essa punição. Se o pecado foi cometido, a pena também tem que ser cumprida. Por isso, Jesus, sem nunca ter pecado, subiu ao monte Calvário, foi pregado na cruz e morreu pelos nossos pecados. Ele nos substituiu ao levar a nossa pena sobre si. Em Romanos 3.24-28, a Bíblia diz que, pela justiça de Deus, todos os seres humanos, quando pecassem, deveriam morrer não somente espiritualmente, mas também fisicamente. Porém, Deus, na sua tolerância, deixou impunes os pecados anteriormente cometidos. A pessoa, ao pecar pela primeira vez, deveria morrer, no entanto, Deus deixou em suspenso essa aplicação da pena de morte física. Por quê? Explica-nos o verso 26 que Ele tinha em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para Ele mesmo ser justo e justificador daqueles que têm fé em Jesus Cristo. Quando Jesus veio, Deus aplicou sobre ele a sua pena, o que serviu para todos os pecadores antes de Jesus e para nós, que vivemos nos dias de hoje. 

Assim, através de Jesus, Deus resolveu a questão da punição pelo pecado. Nós não somos justificados mediante qualquer obra nossa. Somente crendo no sacrifício substitutivo de Jesus na cruz do Calvário o ser humano será liberto de seus pecados. Isso se chama justificação. Somos justificados mediante a fé. Veja o que lemos em Romanos 5.1,9,10. O homem não tinha paz com Deus, era inimigo de Deus. Então, Jesus fez a ponte entre o Pai e os homens, tomando sobre si o castigo que deveria ser aplicado no homem. Isaías 53 nos diz que o castigo que nos traz a paz estava sobre ele. Sobre Cristo caiu a espada da lei, a punição da lei. Agora, o ser humano, que antes não tinha paz, pode ter paz com Deus. O ser humano, que era inimigo, agora pode se chegar a Deus porque Jesus reconciliou o homem com o Criador. Isso resolveu a questão das leis éticas de Deus. Quando o ser humano vem até Jesus e, por meio de Jesus, é reconciliado com Deus, ele torna-se um justificado, porém ele ainda não é salvo. Ele meramente fez as pazes com Deus, mas ele não foi restaurado ao antigo estado anterior à queda. Para ser salvo, ele tem que nascer de novo. Pela justificação ele se torna de novo amigo de Deus, mas pelo novo nascimento ele se torna filho de Deus. A justificação reconcilia, aproxima, traz paz, mas o novo nascimento traz filiação, traz natureza de Deus, traz salvação. Então, ele recebe na sua vida a natureza divina, a vida de Jesus entra na sua vida. Assim como nós herdamos dos nossos pais a natureza terrena decaída – a Bíblia chama de carne-, que são as tendências pecaminosas, assim, também, quando alguém nasce de novo, herda do Pai celestial uma natureza nova: a natureza divina. 

Falamos, até aqui, das leis éticas de Deus. Porém, existem também as chamadas leis espirituais. Assim como sofremos conseqüências quando queremos “quebrar” as leis naturais que regem o nosso corpo físico, uma pessoa que age contra a natureza espiritual que recebeu de Jesus, mesmo que aquilo que ela esteja fazendo não seja pecado, vai sofrer conseqüências. Há coisas no mundo espiritual que não são pecado, das quais não há um mandamento expresso na Bíblia dizendo “você não deve fazer isso”, porém atentam contra o Espírito Santo. Essas coisas combatem a natureza espiritual, trazendo benefícios à natureza decaída, a carne. A palavra de Deus diz, em Romanos 8.5 “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas o que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz.” Os que estão na carne não podem agradar a Deus. Nós temos que optar: ou nos inclinamos para as coisas do Espírito Santo ou nos inclinamos para as coisas da velha natureza. Se você se inclinar para as coisas da velha natureza, você vai morrer espiritualmente não por uma punição divina. Você vai morrer assim como morre aquela pessoa que toma veneno: simplesmente por uma conseqüência da sua escolha. 

É por essa razão que a pessoa legalista morre. Aqueles que vivem no legalismo avaliam as coisas somente sob a ótica das leis éticas de Deus, esquecendo-se que existem as leis espirituais. Assim, vivem a questionar: “Pastor, será que posso fazer isso ou aquilo? Será que um copinho de vinho é pecado? Se eu fumar apenas um cigarrinho, estarei pecando?” Já vimos que a questão do pecado foi resolvida por Deus quando Jesus morreu na cruz. Agora, a questão é de ser nova natureza, é de viver no Espírito ou viver na carne. 

Por exemplo, em Efésios 4.26 está escrito: “Irai-vos, mas não pequeis”. Por esse versículo vemos que irar-se não é pecado. Isso significa que o simples fato de alguém irar-se não gera uma punição pelas leis éticas de Deus. Porém, em Gálatas 5.19, vemos que a ira é uma obra da carne e, no versículo 21, a Bíblia afirma que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Assim, a pessoa que se inclina para a ira não vai para o céu, pois se não crucificar esse aspecto de sua velha natureza fatalmente irá morrer espiritualmente, uma vez que a sua nova natureza será sufocada pela velha natureza. Por conseguinte, se alguém é irado, deve tratar esse assunto junto com o Espírito Santo.

Da mesma forma, não é por uma punição que o bode não vai para o curral das ovelhas. Ele não vai porque não é ovelha, mas é bode. A Palavra de Deus diz que, no Grande Dia, o Senhor separará as ovelhas dos cabritos. Os cabritos não vão entrar no lugar das ovelhas, mas isso não será uma punição. É que lugar de ovelha é só para ovelha, e lugar de cabrito é de cabrito. Céu é lugar de ovelha. Lugar de cabrito é no inferno. Céu é lugar para quem nasceu de novo, céu é lugar de quem rejeita a velha natureza. 

Aquele que não rejeita sua velha natureza mata a nova natureza e deixa, por isso, de ser filho. Só existe uma maneira de alguém deixar de ser filho do seu pai: morrendo. Ele deixa de ser filho para ser o falecido filho. Espiritualmente falando, só existe uma maneira de deixar de ser filho de Deus, de perder a salvação: morrendo espiritualmente. Existem duas maneiras de morrer espiritualmente: através da punição pelo pecado ou simplesmente inclinando-se para as coisas da carne. 

Se você alimentar sua carne, fortalecê-la, a sua nova natureza, que lhe faz filho de Deus irá morrer. Ora, a carne se alimenta do mundo. Por isso a Bíblia diz “não ameis o mundo e nem as coisas que no mundo há, porque, se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”. (I João 2.15,16.)

Existem pessoas que se cuidam para não pecar, mas vivem na velha maneira de ser.

Hoje o computador e a Internet tornaram-se indispensáveis, diferentemente da televisão, que é um bem supérfluo. A internet é uma ferramenta imprescindível para todos que precisam de pesquisa. Nessa ótica, o uso, por exemplo, do MSN é pecado? Certamente que não, quando é usado por necessidade. Porém, que benefício terá uma pessoa que passa horas a fio em salas de bate-papo, MSN, orkut? Certamente não terá benefício algum. Apenas passará um longo tempo alimentando a carne. 

Todos sabem que ter televisão em casa, assistir a filmes, novelas é inclinação pra carne. Porém, muitas pessoas não têm esse aparelho em casa, e até pregam contra ele, mas, através do computador, assistem toda sorte de imundície pelo DVD e pela internet. Isso é legalismo, pois os filmes feitos em DVD são os mesmos que passam na televisão, cheios de adultério, homossexualismo, orgias e toda sorte de engano. Mais uma vez, além de estar pecando, a carne dessa pessoa estará sendo alimentada. Assim, quem verdadeiramente é nascido de Deus e ama a sua salvação, não está preocupado com a “forma” como a carne se apresenta, e sim com a essência, não está apegado em filigranas legais, mas em saber se determinada ação ou coisa representa inclinação para a carne ou para o Espírito.

Deus está mostrando que devemos cuidar da nova natureza que nós recebemos. Assim como você alimenta o teu corpo físico com alimentos saudáveis, você deve alimentar também o teu corpo espiritual. E o que é saudável para o nosso corpo espiritual? A Palavra de Deus, a oração, o jejum, a consagração! Se nós nos inclinarmos para a carne, vamos morrer. Mas se nós nos inclinarmos para as coisas do espírito, vamos viver!

About The Author

Pr. Humberto Schimitt Vieira

Presidente da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração, no Brasil, e do “Restoration Ministries”, nos Estados Unidos da América. Bacharel em Teologia, é conferencista, editor, professor de Missiologia e autor de diversos livros

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