A APOSTASIA ATIVA E A APOSTASIA PASSIVA – Artigo do Pr. Humberto Schimitt Vieira
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A APOSTASIA ATIVA E A APOSTASIA PASSIVA – Artigo do Pr. Humberto Schimitt Vieira

A APOSTASIA ATIVA E A APOSTASIA PASSIVA – Artigo do Pr. Humberto Schimitt Vieira

     I. Introdução – os dois piores pecados

A iniquidade que a Bíblia denomina “soberba” produz os dois piores pecados: a “blasfêmia contra o Espírito Santo” e a “apostasia”.

     II. Os pecados de blasfêmia contra o Espírito Santo e de apostasia

No pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo, a soberba leva a pessoa a se sentir superior ao Espírito Santo e, por isso, a rejeitá-lo e ofendê-lo.

No pecado da apostasia, a soberba leva a pessoa a sentir-se superior ao que está escrito na Bíblia, e abandona aquilo está escrito e do qual já havia tomado conhecimento, estribando-se em pensamentos humanos em detrimento do juízo divino expresso na palavra de Deus, que é o verbo divino.

Assim, a apostasia ataca o Filho, enquanto a blasfêmia ataca o Espírito Santo.

  1. Duas razões pelas quais a blasfêmia contra o Espírito Santo e a apostasia são os piores pecados

Por que afirmamos que esses dois são os piores pecados? Duas são as razões: a primeira é a origem de ambos; a segunda razão é a consequência que os dois produzem.

     a) Primeira razão: origem

A primeira razão pela qual os pecados de blasfêmia contra o Espírito Santo e de apostasia são os dois piores pecados é a sua origem: a soberba.

Com efeito, a soberba torna o ser humano repulsivo a Deus. A ira de Deus está reservada contra o soberbo: “Porque o Dia do SENHOR dos Exércitos será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta, para que seja abatido;” (Is 2.12). Deus resiste o soberbo (Tg 4.6; 1 Pe 5.5). Foi a soberba que provocou a rebelião no céu; foi a soberba, também, que causou a queda do ser humano no Éden. Por isso, Deus se levanta contra a soberba. Por isso a soberba é tão terrível. Por isso, todos os pecados que são manifestações direta da soberba se tornam prisões quase inexpugnáveis, pois a mesma soberba que prende, impede o soberbo de se dar conta de que está preso, pois sequer consegue reconhecer a existência da prisão, ou seja, a existência do pecado.

Ora, é justamente esse fator que conduz à segunda razão pela qual os pecados de blasfêmia contra o Espírito Santo e de apostasia são os piores pecados.

     b) A segunda razão: a consequência

A blasfêmia contra o Espírito Santo produz como resultado final a mesma consequência da apostasia, embora que por razões diversas. Tanto uma quanto a outra produzem a impossibilidade da pessoa receber o perdão de seu pecado.

  1. A consequência da blasfêmia contra o Espírito Santo

Jesus Cristo ensinou que é o Espírito Santo que convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Ora, a partir do momento em que a pessoa blasfema contra o Espírito Santo, ela fecha a porta da ação de Deus para a sua vida, de modo a ser convencida de seu pecado. Ou seja, além da sua própria soberba impedir seu arrependimento, inexistirá, da parte de Deus, qualquer movimento para que isso ocorra. Em razão disso, “aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno” (Mc 3.29), ou seja, a falta de condições de existir arrependimento, torna esse pecado irremovível, e, portanto, eterno.

Portanto, quando alguém se arrepende de alguma ofensa contra o Espírito Santo, é sinal de que, ainda que o tenha ofendido, não blasfemou contra a Ele.

  1. A consequência da apostasia

Na blasfêmia contra o Espírito Santo a pessoa perde a capacidade de arrependimento em razão de uma ação divina.

Na apostasia, embora a consequência seja semelhante, a razão da impossibilidade do arrependimento é a soberba da própria pessoa, que endurece seu coração e se firma no seu próprio entendimento em desacordo com o que Deus fala.

A partir do momento em que o apóstata erra por achar que o errado é certo, e não porque na sua debilidade não consegue fazer o bem que desejaria fazer, a sua atitude mental torna impossível o seu arrependimento. Não é que Deus não possa perdoá-lo, mas é ele que não consegue voltar atrás e se arrepender. O apóstata é como um carro que perde a marcha ré.

Em consequência de sua soberba, o apóstata passa a voluntariamente desobedecer à vontade de Deus, e, por conseguinte, ao participar da Santa Ceia, pisa no sangue de Jesus e torna-se réu do corpo e do sangue do Senhor.

A carta aos Hebreus assim se refere ao apóstata:

Hb 6.4-6: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” Hb 10.26-31: “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Sim, o juízo de Deus é contra o soberbo, e quão horrível será esse juízo.

O que blasfema contra o Espírito Santo e o apóstata, ainda que por vias diferentes, terão o mesmo fim.

     III. Debilidade, negligência e apostasia

Jesus Cristo convoca os salvos a serem perfeitos.  Mt 5.48: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.”

Ora, na busca da perfeição encontramos três obstáculos: a debilidade humana, a negligência e a apostasia.

Em toda e qualquer igreja ou denominação encontraremos pelo menos um desses três fatores.

 

  1. Debilidade humana

A debilidade ou fraqueza humana será encontrada em todas as igrejas, pois é inerente à natureza humana.

          a) A existência de debilidades humanas não impede do crente ou da Igreja serem “perfeitos”

Por melhor que seja uma igreja, sempre encontraremos no seu seio pessoas cometendo coisas erradas que não deveriam fazer ou deixando de fazer o bem que deveriam cumprir. Contudo, há igrejas em que, mesmo havendo a falha, tanto as pessoas que fazem o mal quanto aquelas que estão no seu entorno não concordam com o mal.

Tal igreja e seus membros demonstram a fraqueza humana que lhes é inerente, mas ao mesmo tempo manifestam uma profunda repulsa às manifestações carnais da mesma natureza.

O apóstolo Paulo fala sobre esse terrível dilema do crente fiel. Rm 7.15-16: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.” Ou seja, nesse caso, o crente faz o que na sua mente detesta, e deixa de fazer o que na sua mente prefere. E entre a carne e a palavra de Deus, ele está de acordo com a palavra de Deus.

Sobre o tema, continua o apóstolo Paulo falando, em Rm 7.17-18: “Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.”

Assim, numa igreja em que, embora praticado por força da fraqueza humana, o pecado é detestado, duas atitudes são encontradas. A primeira atitude, individual, é encontrada no crente que sofre com a fraqueza: ele luta contra ela, conforme 1Co 9.25-27: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”

A segunda atitude, coletiva, é a disciplina ao faltoso, que inclui tanto a exortação quanto outras ações mais drásticas que impeçam o faltoso de participar indignamente da Santa Ceia e de que os demais crentes venham a tropeçar, cometendo o mesmo erro (Hb 3.13; 1 Co 5.3-7, etc).

Quando uma igreja e seus membros agem assim, ainda que tenha suas debilidades, ela é perfeita perante Deus, porque, conforme Hb 10.14, Cristo, por seu sangue, “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.” Aleluia.

Ou seja, ainda que não tenhamos alcançado a perfeição, se estivermos num processo progressivo de santificação (“sendo santificados”), seremos uma igreja perfeita. Em outras palavras, seremos perfeitos se hoje estivermos mais separados do mundo e da carne do que estávamos ontem, e se amanhã estivermos mais santos do que estamos hoje.

O apóstolo Paulo destaca esse fenômeno em Fp 3.12-15: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.”

           b) Um ambiente propício ao Espírito Santo

Quando a igreja mantém esse padrão de inconformidade com o erro, tanto cada um na sua vida particular quanto em relação à coletividade, existirá um ambiente propício para o Espírito Santo mesmo ante as debilidades dos crentes, pois, conforme 2 Co 12.9: “… o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas…”.

 

  1. A negligência 

    a) Uma batalha diária

A batalha contra as debilidades humanas é diária, pois a fraqueza dos crentes em sua natureza humana em relação ao pecado se deve à extrema violência e força da carne.

Portanto, lutar contra a carne, e não aceitarmos a derrota espiritual mesmo diante de nossas debilidades, exige disposição para o combate diário contra a nossa carne e, também, disposição para termos problemas com a carne dos demais crentes se quisermos assumir a responsabilidade de zelar também pela igreja como coletividade.

         b) A consequência da batalha diária

Por isso, a tendência é, mesmo que continuemos reconhecendo o pecado como pecado, deixar de combatê-lo com a intensidade com que deve ser combatido.

Quando somos atingidos pela negligência, somos levados a pensar que não vale a pena se incomodar com os demais. “Cada um por si e Deus por todos” passa a ser o ditado preferido do crente, do obreiro e da Igreja negligente.

         c) O exemplo da Igreja de Tiatira

Esse era o estado da Igreja de Tiatira, que, embora não tivesse apostatado, mas mantivesse uma fé irrepreensível, estava tolerando os que praticavam o mal, conforme se vê em Ap 2.19-20: “Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.”

Quando a igreja chega nesse estado, Jesus aponta duas soluções: a restauração da disciplina rígida, tal qual foi nos dias de Ananias e Safira, e uma tomada de posição da Igreja no sentido de se firmarem na doutrina (Ap 2.24,25).

Devemos estar vigilantes contra a negligência e a tolerância ao erro na igreja. Cada crente deve assumir o compromisso estabelecido por Jesus de “ganhar seu irmão” ao vê-lo errar, ou se ele não aceitar a exortação, em amor conduzi-lo à disciplina e mesmo à exclusão (Mt 18.15-17).

         d) O exemplo da Igreja de Corinto: negligência disfarçada de amor

Porém, se não houver vigilância, a soberba humana leva a igreja negligente e tolerante até a se gloriar da tolerância travestida de amor. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a igreja em Corinto, conforme 1 Co 5.2-7: “E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]. Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.”

         e) Atitudes a serem tomadas

Quando constatamos indícios dessa tolerância ao pecador, temos que reagir para que essa atitude não se transforme em tolerância ao pecado.

A igreja, nessa fase, embora esteja em perigo, não está perdida, pois o pecado ainda é considerado pecado, ainda a palavra pode ser pregada em sua plenitude,  e o pecador ainda pode ser tratado como pecador.

Basta uma atitude, e as coisas voltam para os trilhos da retidão.

Porém, se a igreja não toma atitudes, se estará caminhando, pouco a pouco para o caminho sem volta da apostasia.

 

  1. A Apostasia

Quando a tolerância ao pecador se estabelece na igreja, inexoravelmente chegará também a tolerância ao pecado, e a tolerância ao pecado gera, por sua vez, a aceitação do pecado como algo certo, que é a apostasia.

     IV. Apostasia Ativa e Apostasia Passiva

A apostasia se estabelece e destrói a igreja por meio de duas formas: a ativa e a passiva.

  1. Apostasia ativa

A apostasia ativa é aquela que é promovida conscientemente por aqueles que defendem o abandono de princípios e mandamentos.

Paulo fala sobre eles em 2 Tm 3.8: “E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé”. Também Judas a eles se refere em Jd 1.16-19: “Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros. Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito.”

Paulo ainda alerta que a linguagem deles corrói como o câncer (2 Tm 2.15) e que suas “más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33).

Como resultado daqueles que professam a apostasia ativa, surgem os que a adotam de forma passiva, primeiramente aceitando as pessoas que apostataram da fé, e, depois, a própria apostasia por elas professada.

Essa é a apostasia passiva.

 

  1. Apostasia passiva

Como vimos, a apostasia passiva consiste na aceitação, primeiro, dos que são apóstatas, e, depois, da própria apostasia professada pelos apóstatas.

          a) As duas fases da apostasia passiva

Vemos, portanto, que a apostasia passiva tem duas fases: subjetiva e objetiva.

A primeira fase consiste na aceitação do sujeito ativo da apostasia, a saber, a aceitação de pessoas que professam a apostasia, e, por isso, pode ser chamada de fase subjetiva.

Já a segunda e última fase é objetiva, quando a pessoa, passivamente, aceita o próprio objeto da apostasia, que é a negação da forma de doutrina até então vivida.

  1. Apostasia passiva subjetiva: a forma mais eficaz de apostasia utilizada pelo diabo

Como o diabo consegue destruir crentes, congregações e até denominações inteiras com a apostasia?

A resposta é: por meio da apostasia passiva subjetiva.

Você ouvirá muitos crentes sinceros dizendo: eu posso conviver tranquilamente com crentes apóstatas, pois tenho convicções sólidas que não irão se abalar. Porém, embora com aparência de piedade, tal declaração é fruto da terrível e traiçoeira soberba, pois quem a faz está se colocando acima da palavra de Deus e de igual para igual com Deus, numa atitude semelhante à que levou Lúcifer à queda.

Vejamos o que diz a palavra de Deus em relação aos apóstatas:

     a) Não devemos saudar como bem-vindos e nem receber em casa, conforme 2 Jo 1.10-11: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más.”

     b) No mesmo versículo de 2 Jo 1.11, Deus diz que pelo simples fato de saudamos bem-vindo o apóstata ou o recebermos em casa, seremos tidos por Deus como tão culpados quanto o apóstata ativo. No mesmo sentido, Paulo ensina em Rm 1.32.

     c) Depois de advertidos duas vezes, devem ser evitados, segundo Tt 3.10: “Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez”. A palavra “faccioso” é traduzida do termo grego “hairetikos”, que pode ser traduzido por “herege” ou “herético”.

     d) Não se deve se associar e sequer comer com eles, de acordo com o que se vê em 1 Co 5.11: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.”

     e) A convivência com os apóstatas corrompe os bons costumes, de acordo com 1Co 15.33: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.”

     f) A linguagem dos apóstatas corrói como câncer, segundo 2 Tm 2.17: “Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto.”

     g) Quando ganhamos uma alma e a deixamos em uma igreja apóstata, corremos o sério risco de deixá-la em estado pior do que antes, conforme se lê em Mt 23.15: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!”

     h) Deus expressamente ordena que devemos sair do meio dos apóstatas, de acordo com 2 Co 6.17-18: “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”. O apóstolo Paulo de forma cristalina esclarece que esses dos quais devemos nos retirar do seu meio são os apóstatas, segundo está escrito em 1 Co 5.9-12: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?”

    i) Deus diz que ou saímos do meio dos apóstatas, quando eles dominam a igreja, ou os expulsamos, quando ainda são minoria. Veja 1 Co 5.12-13: “Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.”

 

  1. A apostasia passiva subjetiva sob a ótica divina

Sejamos sinceros com Deus: pode alguém agradar a Deus querendo conviver com apóstatas e, pior do que isso, submetendo-se a pastores apóstatas?

Se eu não devo nem saudá-los bem-vindos, como poderei ser liderado por eles? Se não posso comer com eles, como poderei comungar do mesmo pão e mesmo cálice? Se não posso me associar com eles, como poderei fazer parte da mesma igreja?

Em uma igreja que está havendo certa negligência, se alguém provocar o tratamento de um caso, se saberá que pelo menos a atitude do pecador será condenada. Mas, numa igreja apóstata, a atitude do pecador será tida por correta, e será defendida! Fatalmente, numa igreja apóstata o pecado avançará em razão da virulência dos apóstatas ativos e tolerância dos apóstatas passivos, que pouco a pouco caem no círculo de influência dos carnais.

 

  1. A transformação da apostasia passiva em apostasia ativa

Mas tem mais! Mesmo que os apóstatas não causem influência sobre o crente fiel, o simples fato de permanecer comungando com os apóstatas já o faz um apóstata, pois estará em expressa desobediência à vontade de Deus, explanada à saciedade na Palavra.

Como poderá o crente contender com Deus e permanecer impune? E pior do que não sair do meio de apóstatas é alguém que não está no meio deles a eles se submeter. E, ainda, pior do que isso, é alguém que lá esteve e saiu, voltar a estar. É o que diz a Palavra em 2 Pe 2.22: “Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal.”

Imaginemos o juízo que virá sobre tais crentes que desafiam com tanta insensatez a Palavra de Deus!

Repito e advirto que, em todas as igrejas perfeitas, encontraremos debilidades e, em algumas, até certa perigosa tolerância que deve ser combatida. Porém, nessas igrejas o errado ainda não é considerado certo, o pecado ainda é pecado e o pecador ainda pode ser disciplinado.

Na igreja apóstata não. O pecado é aceito e, em vez de correção ao pecador, há jactância por uma libertinagem disfarçada de amor.

  1. A sedução dos apóstatas

Mas por que os apóstatas seduzem crentes que gostariam de ser fiéis a tolerá-los e até a apoiá-los?

A resposta é dada em Judas 1.16: “Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros.” Ou seja, ao mesmo tempo que os apóstatas murmuram das lideranças e crentes que querem ser fiéis, adulam e agradam àqueles que querem conquistar. É proverbial a retórica “amorosa” dos apóstatas, buscando demonstrar um amor que na verdade não têm, pois, segundo 1 Jo 5.2: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos.” Como precisamente fala o Espírito Santo por meio de Judas, não são amorosos, mas apenas hábeis aduladores.

 

  1. A murmuração dos apóstatas

Os apóstatas costumam justificar sua apostasia apontando as debilidades e negligências dos que estão sendo santificados. Ao fazer isso, incorrem em maior condenação, pois, além de não serem justificados dos seus próprios erros, se colocam ao lado de Satanás, que de dia e de noite acusa a igreja do Senhor (Ap 12.10). Esquecem os apóstatas que esses crentes que eles acusam estão lutando para serem santos, estão dispostos a serem santificados, e certamente o serão, pois aquele que começa a boa obra a aperfeiçoará até a vinda de Cristo Jesus (Fp 1.6).

 

  1. O destino dos apóstatas, ativos ou passivos

Para os apóstatas, ativos e passivos, já está traçado o juízo de Deus, de acordo com as passagens das Escrituras registradas em 2 Co 11.13-15 (“Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras”) e Fp 3.19 (“O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas”).

     V. Exortação final

Vigiemos, pois.  Não podemos cair na mesma condenação que cairão os que caem no pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo. Não nos deixemos ser traídos pela soberba inerente à nossa natureza humana, que quer nos levar a afrontar a Palavra de Deus, quer por meio da apostasia ativa, quer por meio da apostasia passiva.

About The Author

Pr. Humberto Schimitt Vieira

Presidente da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério Restauração, no Brasil, e do “Restoration Ministries”, nos Estados Unidos da América. Bacharel em Teologia, é conferencista, editor, professor de Missiologia e autor de diversos livros

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